quarta-feira, 15 de setembro de 2010

À BEIRA DO RIO URUGUAI



Fabiana Raquel Martins


LEMBRANÇAS DA MINHA TERRA
SAUDADES...
MUITAS SAUDADES DA MINHA TERRA
DE PESSOAS ACOLHEDEROS E FESTEIRAS
GENTE SIMPLES E DE ALMA CARIDOSA.
A INFÂNCIA NÃO FOI FÁCIL
AS BATALHAS ERAM DIÁRIAS
MAS A ALEGRIA PERMANECIA
NO CORAÇÃO DA MENINA INOCENTE.
AS TARDES ERAM ALEGRES
À BEIRA DO RIO URUGUAI
DE ÁGUAS CALMAS E TAMBÉM TURBULOSAS
DE UM AZUL ÚNICO.
À SUA MARGEM
BRINCADEIRAS INOCENTES
UM SOL RADIANTE COBRINDO O CÉU
BANHO NO RIO, QUE SAÚDADES...
A CRIANÇA CRESCEU,
MUDANÇA PARA UMA NOVA CIDADE,
O GRANDE RIO URUGUAI LÁ CONTINUA
SERVINDO DE BERÇO PARA OUTRAS INFÂNCIAS.
AUTORA: FABIANA R MARTINS
SETEMBRO 2010

Um coração especial, num morro de Ivoti.







ARIANE CAROLINA BOSCARDINI BITTENCOURT

Ivoti, cidade que ate então eu pouco conhecia e que nos últimos meses, tenho freqüentado muito. Escolhi um lugar que para muitos, e inclusive para mim, não passava de um morro ‘verdinho.
É possível se ver do Belvedere, outro lugar muito bonito. Mas então, porque escrever sobre um “morro verdinho” e porque justo este lugar?
Acredito que seja culpa do romantismo existente dentro de cada um de nós. Apesar de muitas vezes fingirmos que não damos importância para tais coisas e que nossa rotina não deixa espaço para tais feitos, que apenas na literatura e no cinema os amados fazem declarações para seus pares.
Escrevo então sobre a ‘marca’ deixada pelo meu Amado para mim, neste “morrinho verdinho”, marca esta que é possível se avistar do Belvedere, lugar que freqüentamos e de uma das estradas que passam pela cidade.
Posso dizer que sou privilegiada neste sentido, porque sim eu recebi uma linda declaração, de uma forma que eu jamais esperaria. Foi neste “morrinho verdinho”, que vi escrito meu nome, dentro de um coração. Com a frase: “ Eu te amo”. Este pedaço do “morrinho”, onde está este coração, com este escrito, e que na verdade agora é um “morrinho verdinho com um coração cor de terra”, é que consigo imaginar como um lugar na cidade, pouco percebido pelo olhar, e que hoje não está apenas em meu olhar mas está e estará sempre na minha memória e em meu coração. Foi o melhor presente que já ganhei e que será para sempre lembrado por mim.

A cidade e seus (des) encantos

Por de sol na Lomba Grande
Caturritas na rua de minha casa

Ana Paula Trisch Garcia


As ruas, as praças, as
casas...

As árvores de São
Leopoldo

Não são mais as mesmas daquele
tempo.

Ah os pássaros!
Que cantavam incessantemente já não cantam
mais...

Ou até cantam...
Mas, deixamos de
percebê-los.

O céu e o sol não têm o mesmo brilho de
ontem.

As praças estão sem
cor.

A cidade pouco te convida a viver ou a
reviver.

Aqueles lugares repletos de cores,
sossego...

Alegrias ficam na lembrança de quem aqui
viveu,

Vive e revive a cada
dia.

Ah! Os pássaros com todo seu
esplendor

Não são mais
observados,

Foram esquecidos.
Muitos vivem
engaiolados.

Pessoas e
pássaros...

Ainda quando o dia
termina

E o sol consegue abraçar a
cidade,

Pouco se percebe.
Pessoas e Pássaros!

UM LUGAR DE MEMÓRIA: A INFÂNCIA


Ah! Minha Infância...
Juliana Souza


Minha infância me fez querer ser...
Ser alguém, alguém que eu não era alguém que sempre quis ser.
A infância me fez...
Me fez flutuar, me fez sonhar, me fez viajar
Minha infância é relembrar...
Relembrar ternuras, relembrar aventuras, relembrar travessuras.
A infância é...
É magia, é alegria é fantasia.
Minha infância transformou...
Transformou a criança, transformou a lembrança transformou a esperança.
A infância...
Infância de cores, de sabores e de amores.
Minha Infância...
Minha infância era assim...
Assim como eu queria;
Assim como eu fazia;
Assim como acontecia.
Minha infância era utopia...
Utopia de ser;
Utopia de ter;
Utopia de viver.
Minha infância era loucura...
Loucura sem dor;
Loucura sem rancor;
Loucura sem pudor.
Minha infância era alegria...
Alegria de sonhar;
Alegria de imaginar;
Alegria de brincar.
Minha infância era paixão...
Paixão que aquece;
Paixão que enobrece;
Paixão que não se esquece.

A ALMA DA MINHA CIDADE

Ângela Harumi de Souza Okada
A ALMA DA MINHA CIDADE
De tantos contrastes
De culturas diversificadas
Preserva sua essência natural

Pessoas migram, pessoas ficam
E sua arquitetura nostálgica
Resgata sua origem
Conta-nos histórias
Do passado e do presente

No verão com muita festa na Rua grande
No inverno aniversário da sua história
Da colonização, das guerras
E da paz
No outono das folhas caídas
Dos plátanos e eucaliptos
E na primavera no canto
Dos pássaros e dos corais

Seu amigo o Rio dos Sinos
Que traz consigo histórias
De vários lugares
Juntos seguem o rumo natural

A cidade eu o rio pedem
Para aqueles que ficam e que vão
Que preservem
Suas origens e a sua cidade

Nas histórias e nas memórias
O ambiente para o aprendizado
São Leopoldo das estações,
Do velho e do novo
Do vai e vem das pessoas,
Do mundo moderno
Encontro momentos à beira do rio
Para compartilhar o quanto é bela

A alma do meu lugar.

LUGARES DA INFÂNCIA

Mauriane Pacheco de Souza
01/09/2010


Lugares da Infância,
Nostalgia,
Lembranças coloridas, de tempos que já passaram...

Revisitar lugares da minha infância,
Tristeza,
Perceber que o colorido está inserido somente na minha memória.
Que o “progresso” descoloriu os prédios,
Que um tom de bege acabou ocupando o que antes era vívido.

A praça continua lá, com seus monumentos, bustos de bronze,
Seus caminhos são dos mesmos ladrilhos.
A Igreja Matriz contempla o ensaio das bandas das escolas do outro lado da rua.

Retomada esta que provocou em mim alguns pensamentos,
Às vezes, as memórias são poéticas, românticas,
Espero que todos esses sentimentos tenham sido causados pelo dia cinza.

A CASA MAL ASSOMBRADA

DESENHO DE PATRÍCIA MELLO

Nasci e cresci em uma cidade chamada Sapucaia do Sul, interior de Porto Alegre, divisa com outras cidades conhecidas como Esteio e São Leopoldo. Uma cidade muito simpática e hospitaleira, onde tenho muito orgulho de morar e mais, tenho orgulho de estar até o dia de hoje, 29 anos, morando na mesma rua, no mesmo bairro e tendo os mesmos vizinhos.
Com essa querida cidade aprendi muitas coisas, principalmente na minha infância e adolescência, onde a curiosidade era maior e cada descobrimento uma conquista. Tenho muitas histórias para contar e situações vividas que até hoje estão guardadas na minha memória e no meu coração. Lembranças essas, que ninguém jamais poderá apagá-las, pois foram momentos de pura aprendizagem.

Uma dessas histórias e também a que mais me marcou, irei relatar agora para que todos ao lerem esse texto, possam viajar comigo no tempo e no local, onde tudo aconteceu. Há mais ou menos 18 anos atrás existiu em Sapucaia do Sul uma casa amarela, muito antiga, com telhado marrom e sem jardim, que ficava as margens dos trilhos do trem, afastada de outras casas e da vizinhança que ali existia. Quando passeava de trem com a minha mãe, a mesma sempre olhava aquela casa e contava que a mesma era assombrada, que nela existiam fantasmas, principalmente o espírito de uma menina que ali tinha falecido. A maioria dos moradores da cidade conhecia a história e acreditavam, e quando as pessoas passavam na frente da casa era sempre o mesmo assunto. Ninguém queria chegar muito perto, pois diziam que ali escutavam vozes, gritos e gemidos.

Confesso que sempre morri de medo da casa, da menina e da história contada pela minha querida mãe, e quando completei 15 anos fui estudar em uma escola que ficava muito perto dessa casa assombrada, chamada Escola São Lucas. Nos primeiros dias de aula, conheci uma menina muito especial e ficamos amigas. Como só falávamos no colégio, dos estudos e dos trabalhos das aulas, pouco sobrava tempo para conversarmos sobre os assuntos como nossa família e das brincadeiras que gostávamos. Um dia precisávamos estudar para uma prova e marcamos nosso encontro na escola. O combinado era estudar na casa dela e ficarmos durante toda a tarde passando a matéria da prova. Pois bem, cheguei no horário e ela já estava esperando, então fomos até a sua casa. Quando fui chegando perto da casa da minha amiga, comecei a suar e a sentir que algo de estranho estava acontecendo e quando parei, lá estava eu em frente há casa assombrada, prestes a entrar.

Não tive outra escolha a não ser entrar na casa, pois ali morava minha colega de turma, minha amiga e eu tínhamos combinado de estudar juntas, não poderia demonstrar que estava com medo. Assim, entrei na casa e quando já estava lá dentro, umas das primeiras coisas que visualizei foi uma sala gigante com um enorme piano no centro. Os quartos eram grandes e com móveis antigos, cheios de poeira. Mas minha colega, sua mãe e avó dormiam no mesmo quarto por terem medo durante a noite. E assim ficamos quase toda a tarde passeando pelos cômodos e conversando sobre o medo que a maioria das pessoas tinham de se aproximar, por causa dessa história de assombração.

Ali, naquele momento percebi o quanto minha amiga era carente de amizades e o quanto era importante não demonstrar medo, e sim carinho, afeto e amizade. Foi assim que deixei a história de assombração de lado e passei a visitar minha amiga, quase que diariamente. Hoje, não temos mais contato, mas sei que fiz minha amiga feliz por alguns anos e que a nossa história ficará para sempre em nossos corações como uma lição de amor e amizade. A casa assombrada não existe mais, somente as lembranças que os morados de Sapucaia do Sul guardam e as histórias que com certeza passam de geração para geração.
PATRÍCIA MELLO